Saímos da Ciência Lógica e entramos na humana definição de Resiliência.
Dentro
da Neuropsiquiatria, estudos têm demonstrado que nosso cérebro tem a capacidade
de se moldar diante dos acontecimentos vivenciados em nosso dia-a-dia, sendo
que o ambiente em que estamos inseridos tem grande papel transformador. Nesse
sentido, nossa capacidade de renovação é completa.
E não podia ser diferente
com nossos pensamentos, atitudes e formas de assimilação para determinados
acontecimentos.
Na verdade, a maior certeza que temos é que o ser humano é
único e diferente.
Logo, há diferenças comportamentais em cada indivíduo.
Certas pessoas tornam-se resignadas e acabam aceitando, passivamente, os
dissabores da vida.
Essa resignação compromete a ação de lutar contra o que
ocorre, e a renúncia gera a acomodação frente a cada situação diferente e nova.
Costuma-se dizer que tais pessoas sofrem da "Síndrome da Gabriela":
"eu nasci assim, eu cresci assim, sempre fui assim. Gabriela... Sempre
Gabriela...".
Outras são, totalmente, reativas.
O ambiente é que comanda
sua satisfação pela vida.
Suas reações são reclamar e praguejar, sendo que nem
ao menos tomam alguma atitude efetiva para a mudança.
A revolta é uma das
principais características de comportamento.
Mas, há aquelas que além de
confrontarem as situações, enfrentam as tensões com desenvoltura, fazendo de
cada experiência um aprendizado positivo.
Ao invés de focarem no problema,
focam na solução.
Ou seja, desenvolveram ao longo da vida, um comportamento
resiliente.
Não é por casualidade que a palavra "desenvolveram" foi adicionada na
frase acima. Todos nós podemos ser resilientes.
A Resiliência não é um traço de
caráter hereditário que possuímos ou deixamos de possuir. Trata-se de uma
conquista pessoal.
Não é à toa que a superação e o crescimento humano são
potencializados em momentos de dificuldade!
O ser humano precisa enfrentar
desafios para testar seus próprios limites.
Quantos de nós já não vivenciamos
situações de total dificuldade e quando pensávamos que não haveria mais saída,
tempo ou solução, acabamos reabastecendo-nos de mais energia ainda?
Para responder
tal questionamento, destaco duas variáveis fundamentais para o fortalecimento
da Resiliência: disciplina e autoconfiança.
A primeira vem através do tempo.
Esta nos ensina que nosso processo evolutivo é construído diariamente; pois, o
problema não está em nossa realidade, mas na forma como a interpretamos.
Sabemos que não somos senhores do tempo, nem podemos evitar todas as situações
desagradáveis; mas, a maneira como reagimos a elas é que definirá o nosso
sucesso.
Quanto à autoconfiança, essa é a maior característica do comportamento
resiliente.
A superação só acontece porque, antes de tudo, acreditamos em nosso
potencial regenerativo, em nossa capacidade de crer e agir em prol do positivo.
Outra análise que pode ser feita, é que a baixa Resiliência tem legitimado a
não permanência de muitos profissionais no mercado corporativo, pois nunca, em
momento algum, fomos tão cobrados pela nossa capacidade de flexibilização
diante das dificuldades.
O indivíduo que não consegue gerenciar e reverter uma
situação adversa, precisa mudar o foco, ajustar as velas,
"resignificar" o seu modo de vida, para que tais obstáculos e
acontecimentos diários sirvam como promoção de seu desenvolvimento pessoal e
profissional.